Desafinado amor.


É madrugada. Faz frio. Levanto-me da cama ao perceber que não pegaria mesmo no sono. De nada tem adiantado os chás e o leite quente. Saio do quarto, caminho sem pressa alguma até a cozinha. Pego um bombom, vou à sala, acendo o abajur e jogo-me no sofá verde musgo. Dou uma pequena mordida no chocolate e lembro-me de ti. Te senti na verdade. Teu gosto e beijos em meio aos ingredientes. É possível, pergunto? Sim, quando a ausência chega forte e fazendo bagunça.

Você me bagunçou por inteira, rapaz. Com sua voz agradável, sorriso largo, simplicidade, mãos bonitas e sua gaita. Encontra-se na lista por ser preciso. Gosto do som. Recordo da noite em que a luz da lua iluminava toda minha sala, enquanto você era só melodia com sua gaitinha. Teus olhos pretos brilhavam de um jeito diferente. Guardei pra mim todo brilho. Sendo muito sincera, eu gosto de relembrar bons momentos. Você brinca dizendo que sou nostálgica. Admito ser muito. Hoje mais do que nunca. É que nesse instante, eu gostaria de ter você aqui. Sentado no meu tapete, enquanto assobiava alguma canção de Buarque pra agradar os meus ouvidos. Eu jogaria bolinhas de papel em sua direção com beijos dentro. Você sorriria largo eu o acompanharia e depois conversaríamos sobre quase tudo.

Aprecio nossas longas conversas ao telefone. Onde digo alguma bobagem divertida e você ri do outro lado da linha. Um assunto que sempre está presente é o romantismo, o meu não. O de casais alheios, pois disse que não sou romântica e tu completas dizendo ter romantismo guardado em compotas. Se eu quiser posso pegar. Eu nada respondo. É que você tem a capacidade incrível de me calar com palavras.
Eu fico irritada por tal coisa, você gargalha, eu fico mais irritada ainda, você beija a minha boca e tudo fica bonito outra vez.

Ligaria pra ti agora mesmo. Não ouso fazer isso. Talvez esteja dormindo, quem sabe até sonhando comigo. Eu sei, é pretensão achar que me encontro até em teus sonhos. Mas é o modo de embalar a insônia, torná-la um pouco mais poética.
Falando isso, tenho lido e escrito poesias. É difícil não escrevê-las depois que você segura as minhas mãos e deposita um beijo delicado em cada uma.
Você nem faz ideia do que sinto com teu ato de carinho. Fico toda bobinha. Tento disfarçar, mas você percebe. Você sempre percebe. E sabe muito sobre essa coisa desorganizada e bonita que temos. E pra quê ser certinho. Você mesmo disse que não precisa ser. Fica a cada dia melhor dizer que estou amando muito um rapaz de olhos que brilham amor.

Sabe, mesmo eu não sendo muito romântica. Você me faz ficar rosinha de vez em quando, querer colocar o meu vestido predileto só pra te esperar ansiosa. Então a campainha toca e o meu coração bate tão forte, que tenho certeza que você pode ouvir do outro lado da porta. Eu sei o que é isso, que sentimento é esse. Você já disse tantas e tantas e tantas vezes. É amor, meu por você. Teu por mim. Nosso.
Desafinado e em muitas cores.

Veio à tona agora uma conversa que tivemos dias desses. Você disse que o amor é um sentimento todo coloridinho que chega repleto de sutilezas. Eu ouvia tuas palavras com atenção e um sorriso largo. Gosto quando o assunto é amor, gosto ainda mais quando é falado por ti, meu lindo.
Com o bombom inexistente, levanto do sofá lambendo os dedos. Você sempre diz que pareço uma criancinha quando faço isso. Diz isso rindo, toda vez. Como resposta... Mostro-lhe a língua e gargalhamos juntos. Ao teu lado certos momentos têm jeito de amor-amora. Caminho até o rádio e coloco um CD, abro a janela e observo a cidade. Tudo é silêncio. É bossa que toca, acompanho cantarolando a melodia que fora embalo para o nosso beijo na pracinha com cheiro de pipoca doce. Sorrio. O telefone toca, o atendo deitando no sofá outra vez.
- Alô.
- Oi moça bonita.
- Pensava em você.
- Eu sonhei contigo, então acordei e algo em mim ficou inquieto.
- O quê?
- As borboletas em meu estômago. Liguei, pois elas só ficam quietas com o som da tua voz.
- As minhas fazem festa quando ouvem a sua.
Continuamos a conversar. Lá fora as estrelas cintilavam, dentro do meu apartamento era tudo amor.

6 comentários:

  1. Que lindo!!!
    Gostei do final.. as borboletas dele só fiquem quietas ao ouvir a voz dela e as dela fazem festas... apaixonados!! O amor correspondido é tão lindo!!!

    Amei o post!!! =D


    bjoO

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  2. Own, meu Deus, que texto mais lindo!
    Assim eu volto a acreditar em amores fofinhos e coloridinhos!
    Fico pensando: "Será que viverei algo tão meigo?". E fico na esperança de realmente viver algo parecido.

    Ah, essas palavras doces me fizeram suspirar e admirar o modo bonito como escreves, Joyce.

    Beijo.

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  3. estamos seguindo aqui, amamos o blog *-*
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  4. Sentir seu gosto em meio aos ingredientes. Adorei isso.. Mas é verdade, quando a ausencia bate forte tudo pode acontecer. Adoravél o seu cantinho!

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  5. Que amor lindo, perfeito! À distância? Dizem que esses são os melhores, pois o coração não pára de bater forte... Adorei os diminutivos, deram uma suavidade bonitinha :)

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  6. Comecei com lágrimas, chorando a saudade doentia e terminei com riso fácil. as minhas fazem festa quando ouvem a sua.

    PER-FEI-TO Joyce!

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